No 2.º trimestre de 2015

Rácio de crédito vencido das famílias retrocedeu pela primeira vez em quase três anos; Crédito malparado das empresas voltou a crescer

Segundo os dados do Banco de Portugal, no final do 2.º trimestre de 2015, o saldo do volume de empréstimos concedidos a sociedades não financeiras era de 2,95 mil milhões de euros, menos 542 milhões de euros que no final de junho de 2014 e menos 73 milhões que em março de 2015. O rácio de crédito vencido deste tipo de sociedades voltou a crescer, atingindo os 20,6% no final do período de referência. Depois da quebra evidenciada no trimestre anterior (no qual desceu 2,6 p.p. para 19,1%), este rácio tornou a ultrapassar a barreira dos 20%, à semelhança do que havia sucedido no final de dezembro de 2014. Comparativamente ao  trimestre homólogo, o aumento foi de 1,3 p.p.. A nível nacional, o rácio de crédito vencido manteve a tendência crescente trazida dos trimestres anteriores, atingindo  os 16,0% no final do 2.º trimestre de 2014. O montante de crédito malparado no âmbito das sociedades não financeiras com sede na Região situava-se, no período em referência, em 607,7 milhões de euros (+30,3 milhões de euros que em março passado).

No sector das famílias assistiu-se igualmente a uma redução, em termos homólogos, no saldo dos empréstimos concedidos, da ordem dos 139 milhões de euros (-4,2%), cifrando-se o saldo dos empréstimos a este sector institucional, em junho de 2015, nos 3,15 mil milhões de euros. Quando comparamos o saldo do final do 2.º trimestre de 2015 com o do trimestre precedente observamos que a queda foi mais ligeira (-1,3%, cerca de 42 milhões de euros a menos).

O rácio de crédito vencido no sector institucional das famílias registou a primeira redução (de 6,1% no término do 1.º trimestre de 2015 para 6,0% no final do trimestre em análise), desde setembro de 2012. Esta percentagem é contudo superior em 0,6 p.p. à registada em junho de 2014. O montante de crédito malparado neste sector atingia em junho de 2015 os 189 milhões de euros (menos 5,7 milhões de euros que em março de 2015). O fenómeno do crédito malparado é mais acentuado no crédito para “consumo e outros fins” (19,3%) do que no segmento da “habitação” (3,2%), embora face ao trimestre anterior se deva referir que houve um desagravamento de 0,4 p.p. no primeiro, mantendo-se a percentagem no segundo segmento referido. A nível nacional, o rácio de crédito vencido nas famílias fixou-se em 5,1% no trimestre em análise, tendo aumentado 0,1 p.p. face ao período anterior.

Comparativamente ao país, os rácios de crédito vencido no segmento de “habitação” e no “consumo e outros fins” são superiores na RAM em 0,3 p.p. e 4,4 p.p., respetivamente. 

mon fin2T2015PT 

Quanto ao número de devedores do sector institucional famílias, verificou-se um decréscimo de 1,0% em relação ao 1.º trimestre de 2015 e que foi comum a ambos os segmentos, ao do “consumo e outros fins” (-1,7%) e ao da “habitação” (-0,2%). No 2.º trimestre de 2015 estavam contabilizados cerca de 49,6 mil devedores com crédito à “habitação” e 85,7 mil com crédito para “consumo e outros fins”.

Por sua vez, os depósitos e equiparados nos estabelecimentos bancários regionais atingiam, no final de junho de 2015, um volume de 5,2 mil milhões de euros, valor inferior em cerca de 0,9% ao observado no 2.º trimestre de 2014. Contudo, face ao trimestre anterior, constata-se um crescimento de 0,9%, estimulado pelo aumento dos depósitos de particulares (incluindo os emigrantes) em 89 milhões de euros. No final de junho de 2014, o volume de poupanças deste grupo atingia os 3,7 mil milhões de euros.