Entre 2024 e 2100, de acordo com o cenário central de projeção

Região perderá metade da população e haverá uma intensificação do envelhecimento demográfico

O Instituto Nacional de Estatística (INE) disponibilizou hoje os resultados do mais recente exercício de Projeções de População Residente 2025-2100, desagregadas por sexo e por idade, para Portugal e regiões NUTS II.

Conforme refere o INE, o estudo divulgado “assenta em hipóteses de evolução futura das componentes demográficas fecundidade, mortalidade e migrações. Essas hipóteses foram definidas com base na informação e fontes de dados disponíveis no INE à data da definição das mesmas, designadamente Estimativas Anuais de Imigração, Estimativas Anuais de Emigração e Estimativas Provisórias de População Residente 2024”.

O exercício de Projeções de População Residente 2025-2100 segue o método das componentes por coortes e tem como população de base a estimativa de população residente em 31 de dezembro de 2024. Definiram-se quatro cenários de projeção da população: cenário baixo (CB), cenário central (CC), cenário alto (CA) e cenário sem migrações (CSM), com base em diferentes conjugações das hipóteses alternativas de evolução das componentes demográficas – hipótese central, hipótese otimista e hipótese pessimista para a fecundidade e para a mortalidade; hipótese central, hipótese otimista e hipótese pessimista para as migrações; a que se juntou ainda uma hipótese sem migrações, a qual permite avaliar o impacto das migrações na evolução da população.

O estudo do INE revela que, entre 2024 e 2100, de acordo com o cenário central de projeção, Portugal perderá população até 2100, dos atuais 10,7 para 8,3 milhões de residentes, ficando abaixo do limiar de 10 milhões de habitantes em 2057 e de 9 milhões em 2079.

Na Região Autónoma da Madeira (RAM), a evolução da população seguirá a tendência decrescente nacional. No cenário central, prevê-se que a população madeirense passe de 259,4 mil pessoas, em 2024, para 123,3 mil pessoas em 2100. Isto significa que neste período de 75 anos, a população da Região deverá ser reduzida em 52,5%, significando uma perda de cerca de 136,2 mil pessoas. 

Ao longo do período em análise, a população da RAM evoluirá da seguinte forma, de acordo com os cenários baixo, central, alto e sem migrações:

É de salientar que, no cenário baixo, a perda populacional será ainda mais acentuada, em resultado da redução dos níveis de fecundidade e da manutenção de saldos migratórios muito baixos, podendo a população residente na Região descer para 91,3 mil pessoas em 2100. Já no cenário alto, o decréscimo será menos pronunciado, sobretudo devido a uma recuperação dos níveis de fecundidade em conjugação com saldos migratórios positivos mais elevados, projetando-se, ainda assim, um decréscimo da população residente para 158 mil pessoas em 2100. No cenário sem migrações, onde se admite a possibilidade, pouco provável, de inexistência de fluxos migratórios e em que as hipóteses de evolução da fecundidade e da mortalidade são as adotadas no cenário central, seria de esperar, em 2100, uma população residente de cerca de 121,7 mil de pessoas.

Para além do declínio da população, são de esperar alterações profundas na estrutura etária da população da RAM, isto porque a tendência de envelhecimento demográfico deverá acentuar-se na Região nas próximas décadas. 

Entre 2024 e 2100, na Região, de acordo com o cenário central de projeção, o número de jovens (0-14 anos) diminuirá de 31,0 mil para 11,8 mil e o número de idosos (65 ou mais anos) diminuirá de 55,3 mil para 52,0 mil. No mesmo cenário, a população em idade ativa (15-64 anos) poderá diminuir em cerca de 114 mil pessoas, passando de 173,1 mil, em 2024, para 59,5 mil, em 2100.

Face ao decréscimo mais acentuado da população jovem do que da população idosa, o estudo indica um forte agravamento do índice de envelhecimento na RAM, que, no cenário central, aumentará de 179, em 2024, para 442 idosos por cada 100 jovens (mais que duplicando) em 2100. No País, este índice passará de 192 para 316, atingindo em 2100 um valor inferior ao da Região. 

Em igual período e cenário, o índice de sustentabilidade potencial (quociente entre o número de pessoas em idade ativa e o número de pessoas com 65 ou mais anos) sofrerá uma profunda redução de 313 para 114 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos. Para o conjunto do País, este índice diminuirá de 259 para 136 pessoas em idade ativa por cada 100 idosos.

De acordo com o cenário central de projeção, entre 2024 e 2100, o índice sintético de fecundidade, que mede o número médio de filhos por mulher em idade fértil (15-49 anos), deverá aumentar de 1,25 para 1,36, acompanhando a tendência de crescimento verificada no conjunto do País (de 1,40 em 2024 para 1,50 em 2100).

No mesmo cenário, a esperança de vida à nascença dos homens deverá aumentar de 75,87 anos em 2024 para 86,70 anos em 2100. Igualmente, espera-se um aumento da esperança de vida à nascença das mulheres de 82,08 anos para 92,11 anos. No País, a esperança de vida à nascença dos homens aumentará de 78,73 anos em 2024 para 90,38 anos em 2100, e a das mulheres passará de 83,96 anos para 94,14 anos. 

RAM pyramid PT

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