DREM divulga primeiros resultados do Recenseamento Agrícola 2019

A Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) disponibiliza hoje os primeiros resultados do Recenseamento Agrícola 2019 (RA19) para a Região Autónoma da Madeira (RAM), cuja recolha de informação decorreu entre outubro de 2019 e novembro de 2020.

Os Recenseamentos Agrícolas são operações de grande relevância para caraterizar a agricultura nacional e regional e cujos resultados são fundamentais para a tomada de decisões das políticas agrícolas e de desenvolvimento rural para o território.

Esta operação estatística é da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE), sendo que, na Região Autónoma da Madeira (RAM), a coordenação cabe à DREM. Na RAM, estiveram afetos ao RA19 mais de 40 entrevistadores, coordenados por uma equipa de 7 técnicos superiores com funções de supervisão, estando no topo da pirâmide hierárquica, colaboradores internos da DREM.

A recolha de informação, que estava prevista durar no máximo cerca de 7 meses, acabou por se prolongar mais de um ano, tendo sido perturbada pela pandemia, que provocou uma interrupção  da recolha presencial entre meados de março e fim de maio. Entretanto, pela primeira vez em inquéritos desta natureza, introduziu-se a recolha telefónica que assim manteve-se, a par da presencial, como método de recolha de dados junto dos agricultores da RAM até novembro, mês em que se encerrou a recolha.

Pelo menos até final de janeiro, os trabalhos de validação e análise da informação prosseguirão na DREM e no INE, sendo que por essa razão a informação constante na divulgação de hoje será relativamente reduzida e cingir-se-á às variáveis principais. Tendo em conta a pequena dimensão da RAM, a fase de validações internas poderá ter impacto em algumas variáveis, pelo que uma análise mais detalhada dos dados do RA19 para a RAM será disponibilizada apenas no final de março de 2021, quando os resultados forem de natureza final.

Número de explorações manteve-se nos últimos dez anos, mas a área cultivada desceu

Os dados disponíveis nesta fase mostram que em 2019 foram recenseadas 13 567 explorações agrícolas, menos 44 que em 2009, o que corresponde a uma ligeira redução de 0,3%. É a queda menos acentuada alguma vez verificada entre recenseamentos. O forte ritmo de diminuição do número de explorações a que assistiu entre 1977 e 1999, em que metade das explorações da RAM desapareceu, foram abandonadas ou incorporadas noutras, abrandou a partir de 1999.

Por sua vez, a Superfície Agrícola Utilizada (SAU) diminuiu 15% face a 2009, passando a ocupar 4 619 hectares (1 ha=100 ares=10 000 m2).  Estes resultados significam que a área média de SAU por exploração desceu dos 40 ares em 2009 para os 34 ares em 2019.

Área de banana e cana-de-açúcar com crescimentos consideráveis, contrariamente à área de batata e de vinha que tiveram quebras assinaláveis

A  SAU é composta por terras aráveis, culturas permanentes, horta familiar e pastagens permanentes, tendo a queda sido generalizada, mas mais pronunciada na horta familiar (-29%) e nas terras aráveis (-26%), do que nas culturas permanentes (-7%) e nas pastagens permanentes (-1%). A evolução nas culturas temporárias foi a que mais contribuiu para a redução das terras aráveis, mais concretamente com a quebra na área de batata (-52%) e de hortícolas (-29%). Inversamente, nas culturas industriais houve um aumento significativo (+52%), resultado do crescimento das plantações de cana-de-açúcar.

Nas culturas permanentes, a diminuição de área verificada foi impulsionada pela queda na vinha (essencialmente nos produtores diretos, ou seja em castas como o jacquez, o americano, o canim, etc,…) que ascendeu aos 37%. Nos restantes grupos de culturas, com exceção dos frutos frescos (-6%), houve aumentos, com destaque para os frutos subtropicais (+26%), frutos de casca rija (+19%) e citrinos (+15%). Destaque, pela sua importância, para a área de bananeira que cresceu 18% em dez anos.

Sublinhe-se que a nível nacional, o número de explorações reduziu-se em 5%, enquanto a SAU aumentou 7% comparativamente a 2009.

Efetivo animal diminuiu nos últimos dez anos

No que respeita aos efetivos pecuários, observou-se entre 2009 e 2019, uma redução dos bovinos de 4,5 mil para 3,9 mil (-15%), enquanto os suínos passaram de 16,6 mil para 3,7 mil (-78%). Por sua vez, os caprinos registaram uma diminuição de 7,1 mil para 5,2 mil (-27%) e as cabeças de ovinos mantiveram-se nos 4,6 mil (-0,7%).

Explorações agrícolas madeirenses modernizaram-se no período intercensitário

As explorações agrícolas madeirenses continuaram o processo de modernização já evidenciado no último Recenseamento, apesar das limitações inerentes a esse processo que derivam da própria orografia, particularmente na ilha da Madeira. Assim, o número de motocultivadores aumentou em 32%, as motoenxadas em 54% e as roçadoras em 217%. Mas este crescimento não foi uniforme em todo o tipo de máquinas. Com efeito, o número de tratores recuou 19% e os motopulverizadores em 29%.

Sociedades agrícolas com aumento expressivo

A quase totalidade das explorações agrícolas da RAM é gerida por produtores singulares (99%), mas o número de sociedades agrícolas em atividade mais do que duplicou nos últimos dez anos (+157%), passando de 63 para 162. Apesar de as sociedades serem pouco mais de 1% do total das explorações, concentram mais de 5% da área de SAU.

População agrícola familiar diminuiu, tal como a mão-de-obra

De acordo com o RA19, a população familiar agrícola, ou seja, o conjunto de pessoas que fazem parte do agregado doméstico do produtor quer trabalhem ou não na exploração, ronda as 37 mil, abaixo das 41 mil contabilizadas em 2009, traduzindo uma diminuição de 9%.

Dos produtores singulares, 56% são homens e 44% mulheres. A idade média do produtor subiu para os 62 anos, mais 2 anos que em 2009. Quanto ao nível de escolaridade, 6% declarou não saber ler, nem escrever, o que representa uma redução muito significativa face a 2009 em que esta situação era caraterística de 15% dos produtores. A formação de nível superior é agora mais comum entre os produtores agrícolas comparativamente ao Recenseamento anterior, com 7% a possuir este tipo de formação, contra 3% em 2009. Esta evolução em termos de qualificações também é visível na formação agrícola específica, com 43% a declarar ter frequentado cursos de formação profissional agrícola. No seu conjunto, a população agrícola familiar com tempo de atividade na exploração trabalhou menos do que há 10 anos nas explorações agrícolas. A mão de obra familiar medida em UTA (unidades de trabalho-ano, em que 1 UTA corresponde a 225 dias de trabalho, 8 horas por dia) diminuiu 27%.

A avaliação global dos diferentes tipos de mão-de-obra não familiar, medida em UTA mostra que houve uma redução de 21%. Não obstante, em termos de número, os trabalhadores permanentes (incluindo dirigentes) cresceram 10%.

Recenseamento Agricola PT novo