DREM publica dados do Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas 2023
Entre outubro de 2023 e abril de 2024, a Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM), no âmbito do Inquérito à Estrutura das Explorações Agrícolas 2023 – operação estatística nacional da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE) – inquiriu uma amostra das explorações agrícolas da Região Autónoma da Madeira (RAM), tendo sido realizadas 1 460 entrevistas aos agricultores madeirenses.
Superfície Agrícola Utilizada cresceu face a 2019, apesar da quebra no número de explorações
Em 2023, existiam na RAM 12 202 explorações agrícolas com uma Superfície Agrícola Utilizada (SAU) de 4 702,9 hectares (1 hectare = 100 ares = 10 000 m2). Comparativamente ao Recenseamento Agrícola de 2019 (RA19), a redução de explorações foi de 9,8%, enquanto a SAU cresceu 2,1%. A nível nacional, o número de explorações caiu 9,9%, enquanto a SAU diminuiu 2,6%.
O crescimento da SAU e a redução do número de explorações na Região conduziram a um aumento da área média de SAU (calculada pela divisão da SAU pelo número de explorações com SAU, que é de 12 186), que se fixou nos 3 859 m2, acima da apurada no RA19 (3 416 m2).
De notar que foi a quebra de 23,8% ocorrida entre 2019 e 2023 nas explorações com menor dimensão (menos de 0,2 hectares de SAU), que determinou a redução global no número de explorações. Por sua vez, o número de explorações entre os 0,2 a 2,0 hectares registou um aumento de 5,9%.
Em termos de composição da SAU, a predominância das culturas permanentes (que compreende basicamente as fruteiras e a vinha) acentuou-se, representando, em 2023, 51,8% da SAU (50,4% em 2019), em detrimento das terras aráveis (onde estão incluídas as culturas temporárias, como por exemplo as hortícolas, a batata e as flores), que caíram de 35,5% em 2019 para 31,2% em 2023.
Nas culturas temporárias (1 454,1 hectares; -9,3% que em 2019), destacam-se as diminuições nas áreas de hortícolas (-21,6%), culturas industriais (-20,1%), flores e plantas ornamentais e no agregado da batata-doce com o inhame (em ambos os casos, -18,0%). Não obstante, as hortícolas permanecem como as mais importantes dentro do grupo das culturas temporárias, concentrando 38,9% do total deste grupo.
Nas culturas permanentes (2 434,2 hectares; +4,8% que em 2019), destaca-se o aumento observado na área das culturas de frutos subtropicais, que passou de 1 076,4 hectares em 2019 para 1 208,2 hectares em 2023, correspondendo a um crescimento de 12,3% neste período, grandemente impulsionado pelo incremento na área de bananeiras. A segunda cultura permanente mais importante é a vinha, com 623,3 hectares (25,6% do total), que registou uma diminuição de 13,3%.
Em 2023, 86,8% da SAU tinha condições de ser regada, caso o produtor assim o entendesse, uma percentagem superior em 0,7 p.p. à registada em 2019.
No ano em referência, contaram-se 17,6 mil cabeças de gado nas explorações agrícolas da RAM, observando-se um ligeiro aumento global de efetivos, na ordem dos 1,8% face ao RA2019.
Em 2023, a população agrícola familiar na RAM (constituída pelo produtor agrícola e pelo seu agregado doméstico) era de 34 532, menos 2 399 indivíduos que em 2019 (-6,5%).
Daqueles 34 532, 12 008 eram produtores singulares (e os restantes são, em regra, elementos dos seus agregados domésticos). É este tipo de responsável jurídico e económico que está à frente de 98,4% das explorações agrícolas da Região.
Os produtores agrícolas madeirenses são, na sua maioria, homens (55,9%), com uma idade média de 64 anos, mais 2 anos do que em 2019.
Verificou-se uma ligeira melhoria no nível de instrução da maioria dos produtores agrícolas da RAM entre 2019 e 2023: aumento da proporção dos que têm o nível de instrução básico (69,8% em 2019 e 71,5% em 2023) e de formação superior (7,0% em 2019 e 8,4% em 2023), e redução da percentagem dos que não possuem qualquer nível de instrução (14,1% em 2019 e 10,9% em 2023).
No que diz respeito às intenções futuras dos produtores singulares madeirenses em relação às suas explorações agrícolas, 98,0% asseguram que continuarão a mantê-las, com as principais razões a serem o facto de a exploração possibilitar um complemento ao rendimento familiar (55,9%) e pelo valor afetivo da mesma (27,5%).

Para mais informação aceda a: