Em 2021

Número de trabalhadores apurado através dos Quadros de Pessoal aumentou 10,7% face a 2020, enquanto o ganho médio mensal cresceu 3,5%

A Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) disponibiliza hoje no seu portal a atualização da Série Retrospetiva das Estatísticas dos Quadros de Pessoal com a informação de 2021, cujos dados são fornecidos ao Instituto Nacional de Estatística pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

O apuramento estatístico dos Quadros de Pessoal é baseado no Anexo A do Relatório Único - relatório anual que compila dados sobre a atividade social da empresa e que é respondido pelas entidades empregadoras com pelo menos um trabalhador por conta de outrem. Esta informação é preenchida ao nível do estabelecimento.

Número de trabalhadores por conta de outrem aumentou 10,7%

No âmbito desta operação estatística, em 2021, foram apurados 46,3 mil trabalhadores por conta de outrem (a tempo completo e com remuneração completa) nos estabelecimentos localizados na Região Autónoma da Madeira (RAM), correspondendo a um acréscimo de 10,7% face ao ano anterior. A RAM seguiu assim a tendência nacional de crescimento (1,9%), mas a sua maior especialização no setor turístico - fortemente penalizado pela pandemia no ano anterior - determinou um ganho maior nos trabalhadores por conta de outrem.

Face a 2020, e em termos relativos, os municípios que apresentaram os maiores aumentos no número de trabalhadores por conta de outrem foram Porto Moniz (38,7%), Calheta (16,1%) e Funchal (15,6%), acima da média regional (10,7%). Em 2021, Funchal (66,2%), Santa Cruz (10,3%), Câmara de Lobos (5,2%) e Machico (4,5%) eram os municípios que concentravam maior número de trabalhadores por conta de outrem nos estabelecimentos. No pólo oposto encontravam-se os municípios da costa Norte da ilha da Madeira, mais concretamente Porto Moniz (0,6%), Santana (1,1%) e São Vicente (1,2%).

Sector terciário manteve a preponderância, ganhando peso

Considerando a distribuição dos trabalhadores por conta de outrem por sector de atividade, observa-se que o sector terciário, “Serviços”, foi naturalmente o que assumiu maior expressão, ocupando 78,7% do total do pessoal ao serviço em 2021, tendo apresentado um crescimento de 14,5% face ao número de trabalhadores neste sector no ano transato. Comparativamente ao sector terciário, o sector secundário, “Indústria, construção, energia e água”, continua a revelar-se menos empregador (20,2% do total de trabalhadores), registando um decréscimo de 1,6% em relação a 2020. Por sua vez, o sector primário, “Agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca”, com apenas 1,0% dos trabalhadores por conta de outrem, observou um acréscimo anual de 5,4%. Comparativamente a 2020, o peso do sector primário diminuiu 0,1 pontos percentuais (p.p.), o sector secundário recuou 2,5 p.p., enquanto o sector terciário apresentou um aumento de 2,6 p.p..

Peso dos trabalhadores com ensino superior continua a crescer

Tendo em conta o sexo, os resultados indicam que as pessoas ao serviço nos estabelecimentos empresariais a operar, em 2021, na RAM eram maioritariamente do sexo masculino (54,1% do total; 55,5% em 2020).

Na distribuição dos trabalhadores por escalão de pessoal da empresa, observa-se um aumento de trabalhadores em quase todos os escalões, sendo mais expressiva, em termos relativos, nas empresas que têm entre 250 e 499 trabalhadores (90,4%) e nas empresas que têm 500 e mais trabalhadores (20,2%).

Quanto às habilitações literárias, comparando 2020 com 2021, registou-se uma subida no número de trabalhadores em todos os níveis de habilitações. O crescimento mais expressivo ocorreu nos trabalhadores com habilitações mais altas (24,1% em “Bacharelato”). Seguem-se os aumentos nos grupos “Mestrado” (18,3%) e “Ensino secundário” (16,5%). Os grupos mais representativos continuam a ser os que possuem o “Ensino secundário” (33,2%) e o “3.º ciclo do ensino básico” (26,4%). Os trabalhadores com habilitações superiores (licenciados, mestres ou doutorados) representavam 16,6%, o que significa que em 14 anos aquele valor ultrapassou o dobro, visto que em 2007 era de apenas 7,5%.

Ganho médio mensal cresceu 3,5% face a 2020

O ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem apurado em 2021 situou-se nos 1 212,39€, valor superior ao do ano anterior (1 171,42€), o que corresponde a um aumento anual de 3,5%. De notar que no conjunto das regiões NUTS II, a RAM é aquela que apresenta o segundo valor mais elevado, apenas atrás da Área Metropolitana de Lisboa (1 562,69€).  No que respeita ao escalão de pessoal da empresa, destaca-se o aumento de 5,3% no ganho médio mensal dos trabalhadores de estabelecimentos pertencentes a empresas com 50 - 99 pessoas ao serviço. O grupo com 500 e mais pessoas é efetivamente aquele que aufere melhores remunerações (1 498,67€ em média), 23,6% acima da média regional. Ainda neste escalão é de realçar um aumento verificado no respetivo ganho médio mensal entre 2020 e 2021, de 0,3%. O escalão de pessoal 1-9 era aquele que oferecia ganhos inferiores (945,20€), embora tenha registado um acréscimo de 3,3% face a 2020.

Em 2021, o sector secundário era o que apresentava um ganho médio mensal dos trabalhadores por conta de outrem maior (1 252,22€), 3,3% acima da média regional. Os sectores terciário (1 205,72€) e primário (935,12€) apresentavam valores abaixo da referida média.

Homens ganham mais 14,3% do que as mulheres

A análise do ganho médio mensal de acordo com o sexo, para o ano de 2021, mostra que os homens (1 286,34€) ganhavam em média mais 14,3% (ou seja, mais 161,22€) do que as mulheres (1 125,12€), prolongando-se a tendência que existe desde o início desta série. Contudo, enquanto em 1995 as mulheres recebiam 77,6% do ganho médio mensal dos homens, em 2021, esse rácio foi de 87,5%.

Por localização geográfica, verifica-se que o município do Porto Santo era o que apresentava o ganho médio mensal mais elevado (1 323,46€), seguido do Funchal (1 264,75€) e Calheta (1 230,93€), os únicos que estavam acima da média regional (1 212,39€). Ao invés, Porto Moniz (886,52€), São Vicente (893,75€), Santana (927,20€), Ponta do Sol (933,17€), Ribeira Brava (997,38€), Câmara de Lobos (1 028,79€), Machico (1 142,01€) e Santa Cruz (1 168,42€) estavam abaixo da média.

A informação de acordo com as habilitações literárias permite observar diferenças importantes. Os trabalhadores com habilitações inferiores “Inferior ao 1.º ciclo do ensino básico” tinham um ganho médio mensal menor (979,30€). Entre os que detêm o “1.º ciclo do ensino básico” (1 021,20€) e o “3.º ciclo do ensino básico” (1 016,26€), as diferenças são pouco expressivas, mas o diferencial dos trabalhadores com estas habilitações para aqueles com o “Ensino secundário” (1 104,08€) é já significativo. A posse de licenciatura revela-se determinante para obtenção de um ganho médio mensal superior (1 896,51€), sendo que o expoente foi atingido, em 2021, pelos doutorados (2 437,34€).

Quadros de Pessoal PT

 

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