Em setembro de 2024
Crescimento da economia regional acelerou pelo segundo mês consecutivo
O Indicador Regional de Atividade Económica (IRAE) revela que, no mês de setembro de 2024, a atividade económica regional reforçou a trajetória de crescimento, tendo o IRAE acelerado pelo segundo mês consecutivo.

Como a DREM referiu na primeira divulgação do IRAE, em outubro de 2017, o objetivo do mesmo é “sinalizar o comportamento da atividade económica, nomeadamente no que se refere à sua direção e magnitude das flutuações: se esta se encontra em terreno positivo ou negativo, as acelerações, desacelerações e a identificação de pontos de viragem”. O seu valor quantitativo, assume por isso uma importância secundária, não se apresentando o mesmo como um substituto da variação real do Produto Interno Bruto, a ser apurada com um conjunto mais variado e completo de informação estatística, muito embora haja uma forte correlação entre as duas variáveis.
Síntese Económica de Conjuntura – Análise da Situação Económica da RAM em setembro de 2024 em 7 tópicos
A DREM apresenta a seguir uma análise concisa dos principais indicadores de curto prazo, divididos em temas, chamando-se à atenção que muitas das variações mencionadas estão em médias móveis de três meses, uma técnica comum nos boletins de conjuntura, para suavizar as irregularidades e mostrar a tendência.
Atividade Económica
Como mencionado anteriormente, a atividade económica regional, em setembro de 2024, manteve a trajetória positiva de crescimento, e a um ritmo superior ao registado no mês anterior. O desempenho do setor de turismo contribuiu para o crescimento económico, uma vez que as dormidas (excluindo o alojamento local abaixo de 10 camas) aumentaram 0,7%, em setembro de 2024 (1,5% em agosto anterior). De notar ainda que os proveitos totais no alojamento turístico observaram um incremento de 13,6%, igual ao do mês precedente. A emissão de energia elétrica, um indicador normalmente associado à evolução da atividade económica, cresceu 1,6%, em setembro de 2024 (1,1% no mês anterior). A introdução no consumo de gasóleo recuou 0,2%, uma queda inferior à de 0,4% ocorrida em agosto último. Analisando a relação entre as sociedades constituídas e dissolvidas, verifica-se que, em setembro de 2024, foram criadas 3,2 novas sociedades por cada sociedade dissolvida na Região, uma proporção superior à registada no mês anterior (2,3).
Indicadores Qualitativos
Os indicadores de confiança disponíveis, para setembro de 2024, em comparação com o mês anterior, mostram um aumento no setor da construção e obras públicas e diminuições nos setores do comércio, indústria transformadora e serviços.
Consumo Privado
Um dos indicadores que reflete a evolução do consumo privado é o volume de operações na rede SIBS com cartões emitidos por bancos nacionais. Analisando o total de levantamentos em caixas multibanco e as compras realizadas com cartões nacionais em terminais de pagamento automático, verificou-se um crescimento de 5,9%, em setembro de 2024, ligeiramente acima dos 5,7% registados no mês anterior. O consumo de gasolina abrandou ligeiramente, registando um aumento de 9,6%, em setembro de 2024, face aos 10,5% de agosto deste ano. Por outro lado, as aquisições de automóveis ligeiros de passageiros por residentes aumentaram 4,7%, abaixo do crescimento de 5,1% verificado no mês anterior. O saldo dos empréstimos ao consumo concedidos a famílias e instituições sem fins lucrativos ao serviço das famílias acelerou 6,3%, em setembro de 2024, interrompendo um ciclo de 12 meses sempre em queda (-11,8% no mês anterior).
Investimento
No que diz respeito ao investimento, os indicadores de setembro de 2024 dividem-se em dois grupos: os que apresentam um sinal positivo, como as vendas de automóveis ligeiros de mercadorias, que cresceram 23,2% (-17,6% no mês anterior), a avaliação bancária de habitação, que subiu 13,8% (em comparação com os 15,9% do mês anterior), o saldo dos empréstimos concedidos às famílias para habitação, que aumentou 1,8% (face aos 1,2% em agosto) e a comercialização de cimento, que registou um crescimento de 5,8%, após uma subida de 9,8% em agosto de 2024. Por outro lado, existem indicadores em queda, como o saldo dos empréstimos concedidos a sociedades não financeiras, que recuou 6,5% (-7,7% em agosto de 2024) e o licenciamento de edifícios, que sofreu uma diminuição de 16,5% (-34,3% no mês anterior).
Procura Externa
Embora o comércio com o estrangeiro represente apenas uma pequena parcela do comércio global realizado pela Região (a maior parte do qual é com o Continente), é importante assinalar que tanto as exportações (32,5%; 23,8% em agosto anterior) como as importações de bens cresceram (1,6%; 4,9% no mês anterior). O movimento de mercadorias nos portos (10,2%; 7,1% no mês anterior), que é um indicador mais abrangente em relação à dinâmica do comércio externo, acelerou face ao mês anterior. Já noutros indicadores, em setembro de 2024, observa-se que a desaceleração no movimento de passageiros nos aeroportos (3,4%; 5,1% em agosto último) está em linha com a evolução do total de levantamentos em caixas multibanco e compras por meio de terminais de pagamento automático com cartões internacionais (17,3%; 19,2% no mês precedente).
Mercado de Trabalho
Os dados provenientes dos organismos que tutelam a área do Emprego no País e na Região mostram que, em setembro de 2024, houve uma ligeira redução nas ofertas de emprego (-0,3%) e um aumento tanto nos pedidos de emprego (8,2%), como no número de desempregados inscritos ao longo do mês (7,1%).
Preços
Em setembro de 2024, a taxa de inflação homóloga, que se fixou em 3,8%, acelerou face ao mês anterior (3,5%), sendo menor nos Bens (2,1%) e maior nos Serviços (6,0%). A inflação subjacente (que exclui os produtos alimentares não transformados e energéticos) foi de 4,5%, acima dos 4,4% registados em agosto precedente.