Em 2020

Empresas voltam a concentrar a maior fatia das despesas de Investigação e Desenvolvimento (I&D) na RAM

Com a presente divulgação, a DREM atualiza a Série Retrospetiva da Ciência e Tecnologia com a informação de 2020. De referir ainda que, nesta edição, a série passa a incluir informação sobre a inovação nas empresas, com base nos principais resultados apurados para RAM no âmbito do Inquérito Comunitário à Inovação (CIS), com referência ao período 2010-2012 / 2018-2020 (pelo menos para a maioria dos novos indicadores).

Em 2020, na RAM, o peso da despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) no Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,51%, mais 0,07 pontos percentuais (p.p.) que em 2019, ano em que este indicador se fixou em 0,44%. De notar que este é o valor mais elevado deste indicador, cuja série tem início em 2010. Estabelecendo uma comparação com as restantes regiões do País, observa-se que a RAM, Região Autónoma dos Açores (RAA) e Algarve apresentam rácios relativamente próximos entre si, embora muito afastados da média nacional. Em 2020, a despesa em investigação e desenvolvimento (I&D) no PIB em Portugal foi de 1,62%, enquanto a RAA (0,34%) e o Algarve (0,49%) apresentaram, ambas,  um valor inferior ao da RAM. A Área Metropolitana de Lisboa (1,96%) e o Norte (1,82%) surgem como as regiões com melhor performance neste indicador. De realçar que todas as regiões registaram um incremento neste indicador.

A proporção de pessoal (equivalente a tempo integral) em I&D na população ativa era, em 2020, de 4,1 em cada mil ativos, representando uma ligeira subida em relação ao ano anterior (3,9). Por sua vez, o rácio para os investigadores manteve-se nos 0,30% do total de ativos.

 Ciencias Tecnologia PT

Em 2020, na RAM, foram contabilizadas 71 unidades de investigação (+5 que em 2019), que empregavam 558 pessoas (medidas em tempo integral), mais 23 face ao ano anterior. A maior parte destes efetivos concentrava-se nas Empresas (39,6%), seguindo-se o Ensino Superior (36,4%), o Estado (23,8%), onde está incluída a Administração Pública Regional e a Administração Local e por fim as Instituições Privadas sem Fins Lucrativos (0,2%),

O valor da despesa em I&D rondou, em 2020, os 22,9 milhões de euros, +2,8% que no ano precedente (22,3 milhões de euros). No ano em referência, foram as Empresas que lideraram as atividades de I&D na RAM no que se refere à despesa executada, realizando 44,8% da despesa naquela vertente, seguidas do Ensino Superior (30,9%), do Estado (24,1%) e das Instituições sem Fins Lucrativos (0,2%). De sublinhar que, desde o início da série e pelo segundo ano consecutivo, as empresas concentram a maior fatia de despesa em I&D, posição habitualmente ocupada pelo Ensino Superior (entre 2003 e 2018).

Em todos os anos da série com dados disponíveis, o Estado tem-se apresentado como o principal financiador da despesa em I&D na RAM, concentrando quase metade (48,7%) do total em 2020, seguido das empresas com 31,8%. O financiamento do Estado foi de 11,2 milhões de euros, -9,2% que em 2019.

Em 2020, a área científica ou tecnológica onde foi realizada mais despesa na RAM em I&D foi a da ciência de engenharia e tecnologia, o que sucede pela segunda vez consecutiva. Entre 2011 e 2019 foram sempre as ciências sociais, humanidades e artes que se destacaram face às outras áreas, o que não veio a suceder novamente no ano em referência. Com efeito, em 2020, a despesa realizada em I&D na área científica de engenharia e tecnologia situou-se nos 3,2 milhões de euros, seguindo-se as ciências sociais, humanidades e artes, com 2,7 milhões de euros e as ciências naturais, com 2,4 milhões de euros. De referir ainda que as duas primeiras áreas registam decréscimos face a 2019 (-2,8% e -10,8%, pela mesma ordem), tendo a última crescido 13,4% (única área científica que observou uma subida).

No período 2018-2020, 42,6% do total de empresas com sede na RAM com 10 ou mais pessoas ao serviço apresentaram atividades de inovação, proporção abaixo da média nacional (48,0%) em 5,4 pontos percentuais (p.p.). Estes dados indicam que tanto na Região como no País, as atividades de inovação foram ampliadas relativamente ao triénio anterior, cujos valores se haviam fixado nos 33,5% e 32,4%, respetivamente. Quanto à intensidade de inovação das empresas da Região - indicador que corresponde à percentagem da despesa total de inovação no volume de negócios das empresas que declararam despesas de inovação - a mesma foi de 1,6% no período 2018-2020, 0,3 p.p. acima da percentagem observada para o País, que se fixou nos 1,3%. Contudo, importa realçar que a evolução deste indicador face a 2016-2018 sucedeu em sentidos opostos, isto é, enquanto a nível nacional foi registada uma subida de 0,1 p.p., na RAM verificou-se uma redução de 0,3 p.p..