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Em 2021

Saldo natural negativo atingiu o valor mais baixo desde 1970. Número de nascimentos baixou face a 2020, enquanto o número de óbitos e de casamentos aumentou

A Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) divulga hoje os dados definitivos de nados-vivos, óbitos e casamentos de 2021.

A DREM disponibiliza também um EM FOCO sobre a Demografia na Região Autónoma da Madeira (RAM) num contexto da pandemia COVID-19, que engloba uma análise da situação demográfica na RAM em 2020 e 2021, anos em que os efeitos da pandemia tiveram impacto nas tendências demográficas na Região, em particular no aumento da mortalidade e na redução da natalidade e nupcialidade.

Ainda, pela primeira vez, é disponibilizado no site da DREM um dashboard que resume os dados de nados-vivos, óbitos e casamentos, desde 1970, por município e freguesia. Este dashboard engloba também a informação da Direção Regional de Saúde da RAM sobre o número de casos e de óbitos por COVID-19 em 2020 e 2021. Salienta-se que novo dashboard da Demografia recorre a cartogramas e gráficos visualmente apelativos e permite selecionar diferentes indicadores consoante o ano, município e freguesia.

Os dados apresentados são referentes a 2021 e apurados com base em informação registada nas Conservatórias do Registo Civil até março de 2022. Sublinha-se ainda que a informação relativa aos óbitos de 2020 e 2021 está sujeita a revisões após a codificação das causas de morte dos respetivos anos.

Os resultados definitivos das estatísticas demográficas de 2021 indicam para a Região um saldo natural negativo de -1 131 indivíduos, valor mais baixo desde que há registo e mais acentuado que o de 2020 (-853 indivíduos). Este agravamento resultou de uma diminuição de 6,2% no número de nados-vivos e de um aumento de 6,0% no número de óbitos. A diferença entre o número de nascimentos e de mortes mantém-se negativa desde 2009, tendo o valor de 2021 sido o mais baixo desde 1970.

Nascimentos

O número de nados-vivos voltou a baixar em 2021, atingindo o segundo valor mais baixo desde 1970, 1 744 crianças, sendo inferior apenas em 2014 (1 739). O decréscimo observado traduz uma diminuição de 6,2% face a 2020 (1 860 nados-vivos). O maior registo de nascimentos ocorreu em dezembro (171) e o menor em fevereiro (122). Das 1 744 crianças nascidas em 2021, 50,9% eram do sexo masculino, representando uma relação de masculinidade à nascença de 104, ou seja, por cada 100 crianças do sexo feminino nasceram cerca de 104 do sexo masculino. No país este valor situou-se nos 105.

Dando continuidade a uma tendência que já vem desde 2016 e que é idêntica à do país, a maior parte dos nascimentos registados em 2021 ocorreram fora do casamento, constituindo 64,1% do total (60,0% no país): 41,3% de pais que viviam em coabitação e 22,8% de pais que não viviam em coabitação. A maior concentração de nascimentos deu-se para mães com idades superiores a 29 anos (65,3%), sendo as mães com idades compreendidas entre 30 e 39 anos responsáveis por 56,6% do total de nascimentos averbados neste ano. A proporção de nados-vivos de mães com 40 ou mais anos manteve-se igual à de 2020 em 8,7% (161 em 2020 e 152 em 2021). O número de nados-vivos de mães adolescentes (19 ou menos anos) diminuiu ligeiramente face ao ano anterior (2,6% em 2020 e 1,9% em 2021). De notar que em 2021, 35,3% dos nados-vivos eram de mães com 35 e mais anos, percentagem superior à nacional (33,8%).

Óbitos

Em 2021, registaram-se 2 875 óbitos, mais 162 do que em 2020 (2 713 óbitos), representando um aumento de 6,0%. Da totalidade de óbitos registados neste ano, 81,7% ocorreu para indivíduos com 65 ou mais anos (86,4% no país) e 50,2% para indivíduos com idades iguais ou superiores a 80 anos (60,0% em Portugal). O número de óbitos variou ao longo dos meses do ano, com valores mais elevados nos meses de inverno e mais baixos no verão. Assim, o registo mais alto ocorreu no mês de janeiro (312 óbitos) e o valor inferior no mês de junho (187 óbitos).

Em 2021, ocorreram 1 416 óbitos de homens (49,3%) e 1 459 de mulheres (50,7%). Desde o início do século, só a partir de 2010 é que o número de óbitos de mulheres passou a superar o de homens, sendo a exceção o ano de 2016.

No ano em referência, contabilizaram-se 6 óbitos de crianças com menos de 1 ano (valor idêntico ao de 2020) e 6 óbitos fetais de mães residentes na RAM (5 em 2020). Em consequência, a taxa de mortalidade infantil fixou-se em 3,4 óbitos por mil nados vivos (3,2 em 2020), valor acima da média nacional (2,4 óbitos por mil nados vivos).

Casamentos

Na RAM, em 2021, realizaram-se 866 casamentos, o que representa um aumento de 41,5% relativamente ao ano transato (612 casamentos) e uma diminuição de 10,4% face a 2019 (966 casamentos). Do total de casamentos observados neste período, 96,5% foram celebrados entre pessoas de sexo oposto, sendo os restantes celebrados entre pessoas do mesmo sexo (30 no total: 13 entre pessoas do sexo masculino e 17 entre pessoas do sexo feminino). O número de casamentos variou ao longo dos meses do ano, atingindo o valor mais alto no mês de setembro (135 casamentos). O menor número de casamentos ocorreu no mês de fevereiro, tendo sido celebrados 28 casamentos.

Os dados revelam ainda que 65,2% dos casamentos oficializados em 2021 diziam respeito a “primeiros casamentos”. Quanto à forma de celebração dos casamentos entre pessoas do sexo oposto, 76,8% foram realizados pelo civil e 23,2% pelo rito católico.

Segundo o regime de bens, em 61,4% dos casamentos optou-se pelo regime de comunhão de adquiridos. De notar que em 70,9% dos casamentos, os nubentes já partilhavam residência antes do casamento.

Em 2021, ocorreram 1 104 dissoluções de casamento por morte do cônjuge, mais 96 que em 2020. Destas resultaram 296 viúvos e 808 viúvas. A dissolução do casamento por morte do cônjuge afeta sobretudo as mulheres, em particular, devido à maior esperança de vida feminina.

Saldo óbitos nados casamentosPT

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