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DREM divulga dados da edição de 2025 do Inquérito às Condições de Vida e Rendimentos das Famílias
A Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM) realiza anualmente na Região Autónoma da Madeira (RAM) o Inquérito às Condições de Vida e Rendimento (ICOR), operação estatística de âmbito nacional e da responsabilidade do Instituto Nacional de Estatística (INE).
Trata-se de uma operação estatística harmonizada e regulamentada a nível comunitário e, de forma sucinta, tem como objetivos a produção de estatísticas sobre a distribuição do rendimento, as condições de vida e exclusão social, permitindo a análise:
Neste contexto, a DREM divulga hoje no seu portal, os resultados do inquérito realizado entre abril e julho de 2025 a uma amostra de 3 187 alojamentos. Os indicadores relativos à pobreza e desigualdade económica foram construídos com base no rendimento monetário anual líquido de 2024, excluindo-se outras fontes de rendimento, nomeadamente o salário em géneros, o autoconsumo, o autoabastecimento e a autolocação, enquanto os indicadores que não dependem do rendimento reportam-se a 2025.
Tal como no ano anterior, foram utilizados dados administrativos do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (IRS – Modelo 3, Anexo A) relativos aos rendimentos do trabalho por conta de outrem e às pensões de velhice do sistema contributivo, de modo a melhorar a consistência e a qualidade da informação antes da dedução de impostos e contribuições sociais. Em 2025, contempla-se, pela primeira vez, a integração de dados administrativos do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares relativos aos rendimentos das pensões de sobrevivência (IRS – Modelo 3 – Anexo A) e do trabalho por conta própria no regime simplificado (IRS – Modelo 3, Anexo B), bem como de alguns dados administrativos da Segurança Social (prestações relativas à parentalidade, prestações relativas à doença, rendimento social de inserção).
Taxa de risco de pobreza na RAM cai pelo terceiro ano consecutivo e aproxima-se da média nacional
A taxa de risco de pobreza (que corresponde à proporção da população cujo rendimento equivalente se encontra abaixo da linha de pobreza, ou seja, dos 8 679 euros anuais, que corresponde a 60% do rendimento monetário líquido anual mediano por adulto equivalente para Portugal) calculada com a linha de pobreza nacional foi de 15,4% no País em 2024 (menos 1,2 pontos percentuais – p.p. – face a 2023), sendo que na RAM atingiu os 16,6% (-2,5 p.p. que em 2023). Em termos da curta série disponível, este é o valor mais baixo na RAM desde o início da série para esta variável (2017), sendo que entre 2017 e 2024, a discrepância da RAM para com o País, passou de 10,2 p.p. para apenas 1,2 p.p..
Por região NUTS II, o valor mais baixo neste indicador foi registado na Grande Lisboa (12,2%) e o mais elevado no Alentejo (17,9%). Estes resultados marcam uma diferença significativa com as edições anteriores do ICOR, em que as Regiões Autónomas surgiram sempre como as regiões com a taxa de risco de pobreza mais elevada. Além do Alentejo (17,9%) e da Região Autónoma dos Açores (RAA) (17,3%), também o Oeste e Vale do Tejo (17,2%) e o Centro (17,0%) apresentam valores superiores à RAM, pelo que a RAM surge numa posição intermédia no ranking da taxa de risco de pobreza calculada com linha de pobreza nacional no contexto das 9 regiões NUTSII.
Apenas as regiões Centro (+1,0 p.p.), Oeste e Vale do Tejo (+1,2 p.p.) e Alentejo (+2,1 p.p.) registaram aumentos face a 2023. A região do País com maior redução da taxa de risco de pobreza foi a RAA (-6,9 p.p.), seguida da Península de Setúbal (-3,0 p.p.), da RAM (-2,5 p.p.) e do Norte (-2,4 p.p.).
A taxa de risco de pobreza pode também ser calculada com base nas linhas de pobreza regionais, que têm a vantagem de refletir diferentes condições socioeconómicas, nomeadamente, diferentes níveis de custo de vida. Em cada região NUTS II, a linha de pobreza regional corresponde à proporção de habitantes nessa região que vivem com rendimentos monetários disponíveis equivalentes inferiores a 60% da mediana da distribuição dos rendimentos monetários disponíveis equivalentes dessa mesma região.
A linha de pobreza regional passou de 7 240 euros anuais em 2023 para 8 469 euros em 2024, correspondente a 60% da mediana do rendimento por adulto equivalente na Região (12 066 euros em 2023 e 14 115 euros em 2024).
A taxa de risco de pobreza calculada com base nas linhas de pobreza regional da RAM, que corresponde a 60% do rendimento monetário líquido anual mediano por adulto equivalente na Região, fixou-se em 15,6%. Neste indicador, o Algarve (14,3%) registou o valor mais baixo, seguido do Norte (15,0%), Alentejo (15,1%), Centro (15,2%) e RAM (15,6%). A Grande Lisboa (18,1%) e a Península de Setúbal (17,6%) surgem com os valores mais elevados, seguidas pelo Oeste e Vale do Tejo (15,8%) e pela RAA com 15,7%.

Taxa de privação material e social severa na RAM manteve trajetória de descida
No âmbito da estratégia Europa 2030 definiu-se o conceito de privação material e social para a monitorização de pobreza e exclusão social. Os indicadores de privação material e social baseiam-se num conjunto de treze itens relacionados com as necessidades sociais e económicas e de bens duráveis das famílias. Destes itens, sete respeitam à família como um todo e seis referem-se ao indivíduo.
A taxa de privação material e social traduz-se pela proporção da população em que se verificam pelo menos cinco das seguintes treze dificuldades:
- Dificuldades recolhidas ao nível da família
1) Sem capacidade para assegurar o pagamento imediato de uma despesa inesperada próxima do valor mensal da linha de pobreza (sem recorrer a empréstimo);
2) Sem capacidade para pagar uma semana de férias, por ano, fora de casa, suportando a despesa de alojamento e viagem para todos os membros do agregado;
3) Atraso, motivado por dificuldades económicas, em algum dos pagamentos regulares relativos a rendas, prestações de crédito ou despesas correntes da residência principal, ou outras despesas não relacionadas com a residência principal;
4) Sem capacidade financeira para ter uma refeição de carne ou de peixe (ou equivalente vegetariano), pelo menos de 2 em 2 dias;
5) Sem capacidade financeira para manter a casa adequadamente aquecida;
6) Sem disponibilidade de automóvel (ligeiro de passageiros ou misto) por dificuldades económicas;
7) Sem possibilidade de substituição do mobiliário usado;
- Dificuldades recolhidas ao nível dos indivíduos com 16 ou mais anos
8) Sem possibilidade de substituição de roupa usada por alguma roupa nova (excluindo a roupa em segunda mão);
9) Sem possibilidade de ter dois pares de sapatos de tamanho adequado (incluindo um par de sapatos para todas as condições meteorológicas);
10) Sem possibilidade para gastar semanalmente uma pequena quantia de dinheiro consigo próprio;
11) Sem possibilidade de participação regular numa atividade de lazer;
12) Sem possibilidade de encontro com amigos/familiares para uma bebida/refeição pelo menos uma vez por mês;
13) Sem possibilidade para ter acesso à internet para uso pessoal em casa.
No caso dos itens de privação material e social, e dos indicadores globais de privação, a situação familiar é replicada para todos os seus membros, independentemente da idade. No caso dos itens de privação recolhidos ao nível individual, as crianças com menos de 16 anos são consideradas em privação se pelo menos metade dos indivíduos com 16 ou mais anos do agregado em que vivem referiram estar em privação.
A taxa de privação material e social severa traduz-se pela proporção da população em que se verificam pelo menos 7 das 13 dificuldades enumeradas na taxa de privação material e social.
Na RAM, em 2025, a taxa de privação material e social severa foi de 5,0%, assinalando-se uma diminuição de 0,4 p.p. face a 2024. No País, esta taxa manteve-se inalterada em 4,3%. De sublinhar que o valor da RAM é o mais baixo da série disponível (desde 2015). O Alentejo (2,4%) é a região que surge com o valor mais baixo neste indicador, surgindo no polo oposto a RAA (6,7%). Além da RAA, o Oeste e Vale do Tejo (6,0%) e a Grande Lisboa (5,1%) apresentaram uma taxa de privação material e social severa acima da RAM. Comparando 2024 com 2025, observa-se que o Oeste e Vale do Tejo foi a região onde este indicador mais cresceu (+1,7 p.p.), enquanto a Península de Setúbal (-1,6 p.p.) e a RAA (-1,5 p.p.) foram as regiões onde mais desceu.
Intensidade laboral per capita muito reduzida na RAM aumentou para 6,2%
Consideram-se em intensidade laboral per capita (por pessoa) muito reduzida todas as pessoas com menos de 65 anos que, no período de referência do rendimento, viviam em agregados familiares em que a população adulta dos 18 aos 64 anos referiu ter trabalhado, em média, menos de 20% do tempo de trabalho possível (excluem-se os estudantes dos 18 aos 24 anos; os reformados e/ou pensionistas de velhice ou invalidez; e as pessoas inativas com 60-64 anos e que vivem em agregados cuja principal fonte de rendimento são pensões).
Em 2024, na RAM, a proporção da população com menos de 65 anos que vivia em agregados familiares com intensidade laboral per capita muito reduzida foi de 6,2%, traduzindo um aumento de 0,6 p.p. face ao ano precedente, invertendo-se assim a tendência de descida deste indicador que se verificou em 2022 e 2023, mas posicionando-se como o segundo valor mais baixo da série disponível desde 2017 (5,6% em 2023). A média nacional foi de 4,9% (+0,1 p.p.). Por regiões, o valor mais baixo foi registado no Algarve (3,3%) e o mais elevado no Oeste e Vale do Tejo (7,0%).
Taxa de risco de pobreza ou exclusão social na RAM em 2025 reduziu-se para os 20,5%
A estratégia Europa 2030 define, entre outros objetivos, a redução do número de pessoas em risco de pobreza ou exclusão social na União Europeia em, pelo menos, 15 milhões de pessoas até 2030, incluindo pelo menos 5 milhões de crianças.
A mesma estratégia define um indicador de monitorização da população em risco de pobreza ou exclusão social, que conjuga as condições de pobreza relativa, de privação material e social severa e de intensidade laboral per capita muito reduzida. Em conformidade com a convenção europeia, o indicador toma como referência o ano a que respeita a situação material e social severa, apesar do risco de pobreza relativa ser o elemento determinante na sua trajetória.
Em 2025, na RAM, a taxa de risco de pobreza ou exclusão social (rendimentos de 2024) foi de 20,5%, refletindo uma diminuição de 2,4 p.p. face a 2024, fixando-se no valor mais baixo desde que o ICOR tem representatividade regional. A média nacional situou-se nos 18,6%, diminuindo 1,1 p.p. face ao ano anterior. A RAA registou o valor mais alto (21,6%), seguida da RAM (20,5%) e do Oeste e Vale do Tejo (20,4%), enquanto a Grande Lisboa (16,0%) e o Algarve (17,1%) evidenciavam as taxas mais baixas e constituíam-se como as únicas regiões abaixo da média nacional. Comparativamente a 2024, o maior aumento ocorreu no Oeste e Vale do Tejo (+1,3 p.p.) e a maior queda na RAA (-6,8 p.p.).
RAM com menos desigualdade de rendimentos comparativamente à média nacional
O coeficiente de Gini e o rácio S80/S20, permitem fazer a avaliação da assimetria na distribuição de rendimentos na RAM e no país, refletindo as diferenças de rendimentos entre todos os grupos populacionais.
O coeficiente de Gini sintetiza num único valor a assimetria da distribuição de rendimentos, assumindo valores entre 0 (quando todos os indivíduos têm igual rendimento) e 100 (quando a totalidade do rendimento está concentrada num único indivíduo). Na RAM, em 2024, este indicador fixou-se em 29,5% (-1,6 p.p. face ao ano precedente), valor mais baixo da série disponível, sendo a primeira vez em que este coeficiente se situa abaixo dos 30%. A nível nacional, o coeficiente de Gini também registou uma diminuição, de 1,0 p.p., passando de 31,9% em 2023 para 30,9% em 2024, mantendo-se assim a situação observada nos dois anos anteriores, nos quais a RAM se encontrava abaixo do valor nacional, ou seja, com menor desigualdade de rendimentos.
No conjunto das nove regiões NUTS II, apenas o Centro (28,7%) e o Oeste e Vale do Tejo (29,4%) apresentaram um coeficiente de Gini inferior ao da RAM, enquanto a Península de Setúbal surge com um valor idêntico (29,5%). A Grande Lisboa foi a região que apresentou maior desigualdade (32,9%), seguida pela RAA (31,5%), sendo as únicas regiões com coeficiente de Gini superior ao valor nacional.
Em comparação com 2023, apenas o Oeste e Vale do Tejo (+0,6 p.p.) e o Alentejo (+0,4 p.p.) registaram aumentos neste indicador. A Grande Lisboa manteve-se inalterada, enquanto todas as restantes regiões apresentaram decréscimos, destacando-se a RAA (-2,3 p.p.) e a Península de Setúbal (-1,8 p.p.), cujas reduções foram superiores à observada na RAM (-1,6 p.p.).
O rácio S80/S20, definido como o rácio entre a proporção do rendimento total recebido pelos 20% da população com maiores rendimentos e a parte do rendimento auferido pelos 20% de menores rendimentos, atingiu em 2024 o valor de 4,6 (4,9 em 2023), valor mais baixo da série disponível. No País, este indicador também diminuiu, passando de 5,2 em 2023 para 4,9 em 2024. Por regiões, o Centro apresentou o menor rácio (4,3), enquanto a Grande Lisboa registou o valor mais elevado (5,4), seguida pela RAA (5,0). Depois do Centro seguem-se a Península de Setúbal, o Algarve e a RAM, todos com 4,6, posicionando-se ex-áqueo como a segunda região com o rácio S80/S20 mais baixo. Face a 2023, todas as regiões diminuíram a desigualdade refletida por este indicador, exceto o Oeste e Vale do Tejo (+0,4) e o Alentejo (+0,1) que registaram um agravamento. A RAA apesar de ser a segunda Região com maior desigualdade em 2024, foi a que registou a maior diminuição (-0,9), seguida pela Península de Setúbal com uma quebra de 0,7.

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